segunda-feira, 28 de maio de 2007

Você é contra ou a favor ?

Por Gisele Zanetti

Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), dos 22 milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha de pobreza, 70% são negros, entre os 53 milhões de pobres de nosso pais, 63% são negros.
Ser contra ou a favor das cotas para negros nas universidades públicas, se torna uma questão difícil, pois levantamos questões como: os negros são melhores que os brancos, por quê eles tem este direito e a maioria da população não o tem.
Seria e é muito fácil dizermos que todos merecem direitos iguais, mas por quê quando o tema envolve negros, índios ou qualquer outro segmento que foi e continua marginalizado por nossa sociedade, abre-se o leque de discussões.
Desde o descobrimento do Brasil, recebemos aqui milhares de negros, com cultura, hábitos, e costumes diferentes. Estes negros foram marginalizados, desvalorizados humanamente, notando para tais somente valores comerciais e de mais valia para trabalhos forçados. Estes negros perderam assim o direito a seus hábitos de origem e ganharam de presente uma cultura, uma religião, um conceito diferente de vida em comunidade, mesmo que eles vivessem a mercê de tudo isto, servindo somente de empregados.
É verdade que se levarmos ao pé da letra, fica parecendo que o governo federal resolveu que iria dar um presente aos sucessores dos negros que chegaram ao nosso país sem direito a nada, mas será que se não fosse essa medida, haveria outra forma de inserssão deste negros nas universidades públicas. Quantos negros estudam em sua turma? Quantos negros você encontra ocupando cargos de destaque em empresas? Quantos negros interpretam papéis significativos em novelas de grande audiência?
O preconceito parte de cada um de nós, sejamos nós brancos, índios, mestiços e até mesmo negros, por nos julgarmos inferiores, incapazes e vários outros adjetivos pejorativos se assim nos consideramos.
A cota para negros nas universidades públicas deve sim ser questionada, mas devemos prestar atenção e colaborarmos mais não só através de palavras, mas com atitudes, para que nossos governantes venham a se preocupar com melhores condições de ensino em nosso país, o que seria essencial para que não só os negros mas toda a população marginalizada possa um dia ocupar a tão esperada vaga na universidade.


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